"Com efeito, Terry padecia de sonhos: sonhos, insistia ele,
de uma beleza quase paradisíaca; sonhos de jardins mosqueados de sol, de
paisagens divinas, de piqueniques ambrosíacos e de encontros sexuais perfeitos,
que fosse lá como fosse, combinavam o êxtase físico com uma inocência anterior à
queda. Sonhos que ganhavam a qualidade das mais puras e idealizadas memórias de
infância, que superavam os poderes inventivos do mais fértil, consumado e
assíduo fantasista. Todas as noites era visitado por esses sonhos. Todas as
noites os sonhos seduziam-no e atormentavam-no: isso, pelo menos, sabia ele.
[...] Terry estava viciado nos seus sonhos: eles constituíam a parte mais pura,
mais vital, mais preciosa, da sua vida, e, por isso mesmo, passava pelo menos
catorze horas do seu dia a persegui-los pela via do sono." Jonathan Coe

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